quarta-feira, 23 de novembro de 2011

     
Por mais forte que seja a pessoa, uma hora ela não consegue segurar, uma hora ela fica fraca […] E ela havia deixado de ser forte, estava doendo demais tudo. Garota boba, pediu pra crescer muito rápido e seu pedido foi atendido. Quando criança, não sofria tanto né? Quando criança o único machucado que tinha era nos joelhos, e hoje eles são piores, são os machucados do coração. Quando criança, não brigava com espelho, brincava, mas hoje travou uma guerra […] Garota, não vê que és linda? Não vê que tudo pode ser diferente? Mas ela não acreditava mais, e vivia repetindo para si — Idiota, não vê que não é boa pra ninguém? Não vê que nunca vai ser feliz, se olhe no espelho e veja a visão do inferno — amargas palavras da garota, ela era sua pior inimiga. Era noite, e ela escrevia uma carta, a carta da despedida, e dizia — Não fui boa, não sou boa. Mãe, suas palavras abriram feridas profundas, mas eu te amo. Pai, você foi o meu anjo durante todo esse tempo, você foi o único que me fez acreditar, mas não foi suficiente. Irmão, cuide deles, por mim e seja o filho perfeito, aquele que eu nunca fui. Amiga, não chore por aquele garoto, ele não merece nada de você e lembre-se, na saúde e no céu, eu te aguardo. Garoto, seu idiota eu sempre amei você, e você nunca me viu, espero que seja feliz. Foi demais pra mim, perder tudo aquilo foi demais. Eu já estava demais pra mim, mas não lembre de mim como uma fraca, lembre de mim, apenas como eu fui. Lembre de mim como a garota do sorriso bobo, não a garota que escondia o que doía com o sorriso, sei que fui covarde em desistir. Se cuidem, e lembrem que lá de cima, eu olharei por vocês —  Então, ela se levanta e decidida por um fim, a garota vai onde ela não aguentava mais ir, vai à frente do espelho e se encara pela última vez, lágrimas caindo e navalha nas mãos. Ela pensou, ela gritou. Mas por fim na vida era a saída para ela. Ela estava sendo covarde, ela sabia disso. A navalha, desce levemente seus pulsos, e a primeira gora de sangue cai sob o chão. Ela poderia parar, mas não parou. Foi até o fim, a garota colocou o seu ponto final em uma vida que poderia ser de reticências.
Lucas Rodrigues, LR.

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